Consóla-me a solidão, consóla-me desconsolár-me, pois encontro no meu pranto a razão das minhas dores. consóla-me a vida alheia, consóla-me sorrisos gastos,já que de nada servem os meus, e nada bastará para mim. conforta-me minhas lágrimas longas,que secam fácilmente ao se eniberem em outra estação da rádio. magóa-me minha fágilidade, parte-me o peito a dor que sangra a alma. mordo os dedos pra aguentar, na esperança de encontrar na dor, a razão de tudo isso, uma unica explicação mesmo que não acarrete lógica alguma. preoculpa-me o mais tardar. atormenta-me o amanhã. envolve-me em teus braços, cala o meu pranto, pois só assim consigo enxergar a esperança. não some, não me deixa assim, você é a cura e a causa de tudo, permanece do meu lado vindo comigo de encontro ao vento tentando argumentar uma razão para a irresponsabilidade. realiza os meus desejos, até aqueles que eu não tenho certeza se devem se realizar, torna-te em mim oque eu presciso ver. pois só em ti ainda resta a calma, só no teu peito eu descanço em paz, só pelos teus olhos eu enxergo melhor. somente. pois é cortante sobreviver sem a certeza do teu amor, pois consóla-me como ninguém.
Encontra-me deitada ao lado da insônia, com os olhos fixados no teto talvez esperando o mundo acabar. Contenta-me com poucas palavras, frases reformuladas, enigmas que eu já sei decifrar. Deita aqui, diz de novo que não vai me deixar sozinha, mais uma vez, só pra ressaltar. É que eu presciso ouvir que você ainda me ama, todo dia, só pra renovar a sua intimação na minha cadeia. Fecha meus olhos num suspiro, e sussurra ao meu ouvido, que nunca vai me esquecer. Pois vou por aqui, driblando qualquer presságio, e te digo de anti-mão; é você que me consola.
María Cavalcanti.

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