Embargada a minha carta pra ti, não estou habta a terminá-la, não por enquanto. Todo problema é a minha teimosia incessante, que não deixa eu sair do portão, que não deixa eu esquecer de olhar pela janela antes de descer do ônibus. Durante muito, muito tempo eu quis evitar o inevitável, eu quis ser mais forte do que o destino, eu quis, e quis demais. Mas o relógio não para de correr porque tu não tá olhando pra ele, ele só corre mais rápido, e quando tu olha pro lado pergunta "Ué, não foi aqui que eu deixei?" É, foi lá mesmo, não foi fruto de uma epifânia, -estranhamente,não foi- sabe oque te aconteceu? Tu acabou se acomodando. O melhor a fazer é realmente se render, botar as mãos na cabeça e largar a arma no chão antes que te algemem de uma vez por todas. Talvez não seja a atitude mais sábia, nem a mais corajosa, mas sempre me faltou coragem mesmo, que diferença faz?
- 1 pra esquecer.
- 2 pra não lembrar.
- 3 pra aguentar.
Enxe o teus pulmões de ar, é o conselho que eu eu posso oferecer. Talvez o ar circuland por dentro dos teus orgãos, oxigênando teu cérebro consiga levar algum recado ao músculo cardíaco, diz pra ele que já tá passando, e que ultimamente tu nem pensa mais tanto nele. E não pensa mesmo. Sabe que as vezes eu me surpreendo com o meu jeito de enjoar das coisas. Das pessoas. Eu enjôo muito fácil, de tudo. E isso é bom, isso é ótimo pra mim! Quando se torna repetitivo, se torna cansativo, consequentemente enjôa, e eu coloco pra escanteio. Meu banco reserva tá lotado, tem mais jogadores nele do que em campo. É só um amistoso, não é a decisão final. O primeiro tempo já tá terminando, a sorte é ter o segundo todo pela frente -mas não te ilude,não significa que tu vai fazer um gol,não necessariamente-. Quero o novo, quero o outro, quero de volta. Quero de volta não você, mas a vida que eu tinha. Não que eu fosse feliz e não sabia, eu apenas era aquilo que eu deveria ser até hoje. Eu era um detalhe, eu era a virgula. O dia -a-dia me transformou em ponto final.
mariacavalcanti-

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