O buraco não esteve por nem um momento fechado, só havia uma pedra nele, empedindo que fosse possível enxergar que ele estava alí. Mas, acabou acontecendo o mais temido; o buraco se expandiu. E durante a sua expansão, ele ficou grande de mais para a pedra que o selava, e ela acabou caindo dentro dele. Ouviu-se só alguns sussuros durante a queda, só algumas pancadas e umas gotas d'água que estavam no fundo do buraco,com a queda da pesada pedra acabaram subindo, mais logo voltaram pra onde sairam. A única coisa presente na falta, é a ausência. É só oque oculpa lugar, só oque pode ser sentido. Sonhos turbulentos, vida turbulenta. E o mais caótico é que até meus sonhos são um reflexo da minha realidade, com um pouco mais de metáforas, mas acabam sempre me dizendo oque eu já casei de escutar.
Ando cansada de procuras inuteis e sedes afetivas insaciáveis. Reza a lenda que oque hoje somos é só a metade do que devemos ser. Alma gêmea, outra metade da laranja. Mas será que isso existe? Sinceramente, eu me sinto inteira. Com exeção do buraco que uma vez ou outra teima em fazer suas bordas queimarem, eu acho que estou com todos os meus membros, orgãos e sentidos intactos. Nada foi levado. Supondo que seja assim, eu acho que a vida deveria ser um pouco mais generosa e dar coordenadas mais concretas sobre onde achar essa utopia,tá sendo muito enfadonho procurar sem resultados, muita gente já cansou, vida! é melhor tu dar mais pistas.
E um dia, um belo dia, tu -é,tu mesmo- vai olhar pro teu lado e pensar "não tá faltando alguma coisa?". Mas não vai ser a tua alma gêmea, nem a tua metade da laranja, tão menos será o buraco, já que tu nem tem espaço pra isso. Vai ser eu, é, imperfeita e somente eu.
Fica o vazio, após o tchau. Fica o fantasma, quando o concreto se vai. Ficam as marcas de poeira ao redor dos quadros e os longos fios substituindo o ar. Ficamos eu e você, aqui e aí. Um vazio momentâneo, uma saudade permanente, uma dor que vai e vem, alternada com uma apaixonada e obcecada psicose, que só entende quem sente.
Mas vai passar.
maríacavalcanti-

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